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an-dando

Quando me escrevo, descrevo. Quando descrevo, estou. Quando estou, dou.

an-dando

Quando me escrevo, descrevo. Quando descrevo, estou. Quando estou, dou.

Inquieta

24.04.24

É o vazio que me inquieta.

O vazio e o silêncio. O nada. O vácuo. O não ser.

O infinito de possibilidades.

 

A invisibilidade de uma molécula,

De uma bactéria, de um vírus.

Tudo o que é para além de mim e também em mim.

O que não abarco, não entendo, nem controlo.

 

É o todo que me inquieta.

O grande, o imenso, o inalcançável, o imensurável.

O negro, o fundo, o escuro, o indecifrável.

Nada outra vez.

O suspiro, o grito, o ribombar e o estrondo.

 

É a prisão que me inquieta.

A imprevisibilidade e a falta.

O vislumbre do míssil, da luta, da guerra, do sangue, do drama e do terror.

Da calamidade.

Saber da fome, da miséria, da lama e da podridão.

A limitação.

A ilusão do poder e da falta dele.

 

Inquieta-me

A manifestação implacável

Do lado mais negro da espécie a que pertenço.