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Terça-feira, 28 / 06 / 11

Fecundidade

Existe uma pequena quinta, lá para a região da Beira Alta. Nessa pequena quinta há várias árvores de fruta: pereiras, macieiras, ameixieiras, uma cerejeira, figueiras, oliveiras, ... Quando chega a época do ano apropriada para cada uma delas, oferecem-nos os seus frutos. Sem nada terem pedido, sem nada terem exigido. Ali estão os frutos, prontos para serem colhidos e saboreados. Sem condições, sem exigências. Simplesmente estão ali. Se não forem colhidos também não faz mal, servem para os pássaros. Se nem os pássaros os quiserem, também não faz mal. Caem no chão e fazem adubo. Esta realidade de abundância e generosidade cala fundo dentro da minha alma. A minha admiração e gratidão por esta mãe terra que cuida de nós vai aumentando e consolidando.

Habituada a viver entre alcatrão e cimento, num mundo escasso de fertilidade e generosidade, aprendo esta lição. Uma lição de propósito, de finalidades, de cumprimento de missão. Uma lição de dádiva, de partilha, de ciclo fecundo e gerador de vida e riqueza. Uma lição de simplicidade e eficácia.

publicado por an-dando às 08:38
Sexta-feira, 10 / 06 / 11

Pirâmides e sentidos

Agora que me impuseram condições, agora é a minha vez de impor condições.

Estarei disposta se estiverem dispostos, farei se vir que fazem, apoiarei se vir que há apoio.

A verdade é que a confiança se foi, diluída no show que tenho visto. A unidade também. A identidade está por um fio. Triste fica a minha alma quando vê essa quebra entre a palavra e a acção.

Agora, meus senhores, quero ver.

Antes de entrar no jogo é a minha vez de esperar.

Restabelecer começa pois por cima já que a pirâmide insiste em não ser invertida.

 

 

publicado por an-dando às 18:05
Quinta-feira, 14 / 04 / 11

A Caminho... ou quase

A viagem começa muito antes do primeiro pé na estrada. Começa com a decisão de ir. É mesmo aí que começa. Antes disso, é a hipótese, a incerteza, as várias perspectivas, os prós e os contras... até à decisão. Quando se toma a decisão é como se o pé, antes quieto e encostado ao outro, avançasse um pouquinho, só um pouquinho. Ah mas a direcção, nesse momento fica traçada, o desejo está claro, a determinação começa a sua rota...

publicado por an-dando às 15:06
Quinta-feira, 24 / 03 / 11

Somos fantásticos

Hoje, no café, todos os problemas de Portugal são explicados. Facilmente se encontram as razões do estado do nosso País. Da mesma forma, muito facilmente se adiantam as soluções, as medidas necessárias para tudo se resolver. E mais, muito simplesmente se sabe o que vai acontecer a seguir.

Então porque não funciona, se afinal, sabemos tanto?

 

 

 

 

publicado por an-dando às 10:18
Quarta-feira, 26 / 01 / 11

Parar é continuar

Silêncio....

Nem um som, nem um movimento, tudo quieto.

Sombra, penumbra, raios de luz ao longe.

 

Sentada, costas direitas, olhos fechados.

 

Nada circula, nada anda, nada se desloca.

Não há ondas, não há vento, não há nada.

Vazio!

Quietude!

 

No entanto, dentro de mim a azáfama continua.

Sinto o coração bater suavemente no meu peito,

O meu umbigo deslocando-se muito devagarinho para dentro e para fora.

Os pulmões atiram ar cá para fora e as narinas fornecem novo carregamento de oxigénio.

Fluidos levam energia a cada pequena célula do meu organismo.

Dentro de mim toda uma máquina funciona sem parar,

Sem que eu tenha que intervir ou mandar, controlar ou pressionar.

 

No meu cérebro as ideias teimam em não parar,

os pensamentos continuam o seu ritmo.

Cadeias eléctricas percorrem incessantemente todos esses tecidos.

 

Concentro-me.

Centro a minha atenção no umbigo que sobe e desce muito subtilmente.

À minha volta, nada.

 

Passado um bom bocado, desperto para a vida.

Descansada, revigorada, renascida.

 

De um instante para o outro, tudo se altera.

Fora de mim, toda uma azáfama, um turbilhão, um frenesim.

Dentro de mim, nada.

 

Assim é a vida, assim os ritmos, a natureza,

O dia e a noite, o som e o silêncio, a azáfama e a quietude.

 

Duas faces de uma mesma realidade.

Importantes, imprescindíveis, incontornáveis.

 

 

publicado por an-dando às 19:44
Segunda-feira, 10 / 01 / 11

Dia de chuva

Hoje queria ter podado as roseiras, tirado as ervas, ter posto composto.

Mas choveu!

Queria ter tratado dos tomateiros, tê-los tirado, arranjado a terra.

Mas choveu!

 

Hoje queria ter ido à mata buscar folhas de eucalipto para a salamandra

Mas choveu!

Hoje queria ter andado lá fora

Mas estava a chover demais.

 

Fiquei por casa.

Acendi a salamandra, ouvi o crepitar do lume.

Desmanchei a árvore de Natal e arrumei tudo.

Coloquei alguns bibelots que tinha trazido, passei a ferro,

Estive a acabar de montar as agulhas de máquina de tricotar.

 

Quis começar a tricotar.

Mas não fui capaz!

 

Em cada momento, pensei no que poderia fazer

Com o tempo que tinha, com as condições que havia.

 

O dia foi bom.

 

Ouvi música clássica, conversei um bocado.

 

Os meu desejos, os meus quereres....

São só isso mesmo!

 

Há muito mais para além deles.

Há aquilo que pode ser.

E isso é muito bom em 90% dos casos!

 

publicado por an-dando às 20:21
Segunda-feira, 03 / 01 / 11

2011

Quero....

 

Um ano de gargalhadas, risos loucos de energias desafiadoras e esmagadoras.

 

Quero....

 

Um ano de sorrisos ternos, abraços fortes, olhares cúmplices e entendedores.

 

Quero....

 

Um ano de gritos altos, berros fantásticos, ecos uivantes e tilintantes.

 

Quero....

 

Um ano de liberdade, de coragem, de dignidade, de exigência, de qualidade, de desafio.

 

E também....

 

Um ano de tranquilidade, de paz, de silêncio, de procura, de audição, de descoberta.

 

Um ano de sonho.

Um caminho a percorrer.

publicado por an-dando às 23:02
Segunda-feira, 03 / 01 / 11

O trabalho mata-me!!

Por acaso, tenho an-dado um bocado devagar.... ou pouco.... ou quase nada.

 

Tenho andado em-bru-lha-da.... em-bru-xa-da.... e-ma-la-da.... fu-ri-o-sa.... Até que me canso de andar assim e pronto... fico ma-ru-lha-da, fo-li-a-da, qua-se se-mi-ce-rra-da, des-trei-na-da, de-cha-ti-a-da.

 

Hoje foi o primeiro dia de trabalho de 2011 e já estou assim.

 

Que hei-de fazer??

 

publicado por an-dando às 22:57
Segunda-feira, 16 / 08 / 10

A propósito

A propósito do "Casa comigo" e de outros acontecimentos recentes:

 

Não sei se amar é o melhor de todos os projectos. Sem dúvida que sei, porque aprendi, que partilhar a minha vida de uma forma intensa diariamente é algo que é um desafio. O amor é o ingrediente que facilita a coisa. Torna mais fácil quando estou em desacordo, quando tenho que fazer concessões, quando é preciso fazer algo que não me apetece.

Mas partilhar a vida, antes de mais, é uma decisão. É algo que não acontece por acaso, fruto de um qualquer toque de mágica, de algo que cai do céu aos trambolhões. Uma vida a dois é perceber que, apesar de o outro não ser perfeito, apesar da vida afinal não ser como imaginei, apesar de muitas coisas que se passam e não são ideais, percebo e aceito tudo isso porque quero. Aceito a imperfeição do outro porque aceito a minha própria imperfeição.

E depois há o diálogo. Ingrediente mesmo indispensável. Sem o qual não há remédio nenhum. O amor também facilita. É ele que possibilita essa abertura de espírito que me leva a querer contar o que me vai na alma, o que está no fundo de mim mesma, essas pequenas coisas que até para mim são pequenos segredos e que afinal compõem quem eu sou. Esta partilha íntima possibilita um conhecimento ímpar e é algo que considero sagrado. Sagrado poder ouvir e conhecer tais meandros do outro. Sagrado poder também partilhar esses pequenos recantos do meu ser.

E há o respeito. Também um ingrediente mesmo indispensável. Sem o qual não há remédio nenhum. Partilhar a vida são anos e anos de convívio, de estar com. É preciso estarem os dois no mesmo nível, olharem-se nos olhos, reverem-se um pouco e perceberem que o restante é individual. Sem dramas, sem exigências, sem posse. O respeito dá lugar a que exista liberdade, a liberdade de repensar, de reequacionar, de requerer. Também aqui o amor facilita a coisa.

E há outras coisas: confiança, honestidade, clareza, perdão, ...

Muito se fala de amor. Às vezes, a imagem é de algo não muito saudável, não muito real. Algo do tipo "És a mulher da minha vida" ou "Contigo vou até ao fim do mundo" e outras coisas parecidas. Podia aqui desfazer essas frases que são demasiado ingénuas, que compreendo dentro dum contexto de alguém que ainda não viveu o suficiente para perceber que há mais vida para além desses encontros por muito fortes, arrebatadores e apaixonantes que sejam.

Paixão é uma coisa, Amor é outra coisa, Partilhar a vida é uma outra coisa. Tempos e etapas diversas que requerem atitudes adequadas. Subjacente o desejo de viver a vida, aproveitar as oportunidades, fazer de cada dia um dia fantástico com o que nos é dado. O desejo também de dar, de contribuir, de permitir, pelas minhas atitudes, acções e palavras, que a harmonia seja algo possível e real.

 

 

 

publicado por an-dando às 09:33
Quarta-feira, 28 / 07 / 10

Simplesmente uma árvore

Conheço uma árvore bem grande...

 

Quando nasci já existia, tem sido testemunha tranquila do passar dos tempos. Penso nela e tenho-a como professora. Com a minha inquietude sei que não é fácil estar sempre no mesmo lugar....

 

O que é tão curioso é que, estando ali, simplesmente balançando os ramos ao vento, parecendo não participar em nada desta vida... é um modelo para nós humanos, tão inteligentes e superiores!

 

Ensina-me essa persistência de continuar sempre (porquê, para quê?).

Ensina-me a ter as raizes na terra, tendo essa direcção de crescimento para o alto.

Ensina-me a dar sem pedir nada em troca.

Ensina-me a perceber que não preciso de correr para ter tudo o que me faz falta.

Ensina-me que participar não é mais do que viver cumprindo o meu objectivo, a minha missão.

Ensina-me que de lá de cima, de onde não chego, a perspectiva é outra, a visão é mais alargada.

Isso é uma das coisas que vou ganhando, à medida que o tempo da minha vida vai passando: um horizonte mais amplo.

Esse horizonte crescente traz-me um conhecimento maior e mais profundo de mim, dos outros e da vida.

Sei que esse é o caminho da plenitude.

 

É apenas uma árvore. Uma grande simplicidade!

 

 

 

 

 

publicado por an-dando às 15:26
Quando me escrevo, descrevo. Quando descrevo, estou. Quando estou, dou.

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