Às vezes é preciso simplesmente deixar que as coisas aconteçam ou que naturalmente não aconteçam... Deixar que a vida se manifeste, deixar de pensar e desejar, deixar de puxar e de controlar, deixar de forçar... Deixar que aquilo que está à espera possa surgir, deixar que a energia se renove, deixar....

Às vezes é preciso viver com calma o leve findar de um capítulo... Sem pressas, sem medos, deixar que o silêncio possa invadir o espaço, deixar que o vazio se possa instalar. Sentir essa pausa, sentir esses instantes de mudança a lembrarem transições, todas as transições. Deixar o crepúsculo ficar mais um pouco, deixar esse hiato entre o expirar e o inspirar, não apressar a mudança das estações, não querer encher, dar tempo ao acordar, não querer saltar logo da cama para iniciar a actividade seguinte. 

Porque no tempo de recolhimento há coisas que acontecem, há mudanças subtis que são possíveis, há um despertar vagaroso mas certo e seguro que se desenvolve. No tempo de intervalo, nesse tempo em que parece que nada acontece, há uma miríade de centelhas de energia que rodam e rodopiam, hipóteses de novos caminhos e novas oportunidades. 

Neste tempo de intervalo há que descansar e aproveitar, despertando os sentidos e a sensibilidade para esses sinais e indicações que estão no caminho.

Só no silêncio e na quietude é possível vivenciar o que existe mais profundamente, o que é mais interior, mais subtil, mais precioso.

Às vezes é preciso perceber que o vazio, podendo ser sentido como desconfortável, tem em si o poder de se transformar e de transformar a vida e a consciência, tem em si o poder de possibilitar a germinação, o desenvolvimento, a criação, o despontar, ...

Às vezes é preciso não fugir, não querer a todo o custo que esse vazio desapareça, é preciso perceber que ele tem também um lado muito doce e de uma força incrível que só mesmo parando é que se pode vivenciar. 

publicado por an-dando às 14:07